Recentemente tenho participado numa data de conversas sobre filhos. É normal!?
Quando uma mulher está na casa dos 30, casada ou com uma relação estável, invariavelmente passa a falar muito mais dos filhos que ainda não tem. Ou porque lhe perguntam (e a mim perguntam muito) ou porque o tema vem à baila quando várias mulheres se juntam. Ainda não senti vontade efectiva de ter filhos. Acho giro conviver com grávidas e, de todas as fases da vida de uma criança, a parte de serem mesmo bebés é a que me cativa mais. Daí a querer ter um... ui, vai uma grande volta. Eu até me imagino com filhos daqui a muitos anos, agrada-me todo o conceito de família, e tal e coiso, mas para me ver com filhos daqui a muitos anos... é preciso fazê-los agora ou nos tempos mais próximos (porque a merda dos nossos ovários vem com tempo de validade). E isso é que é uma grande chatice. Agora, no tempo real, não tenho espaço nem tempo para uma criança, estou numa situação profissional instável.. Sim, sim, eu sei, é uma perspectiva muito pouco altruísta, mas é a minha, e parece-me honesta. Vejo tudo aquilo que um filho implica, a dedicação e o tempo que exige, e tenho a certezinha que não estou pronta para me meter nesse carnaval. Tudo aquilo de que tenho de abrir mão para trazer uma criancinha ao mundo é, para já, demasiado. E não quero, não estou para isso. Gosto de jantar à hora que me apetece, gosto de poder ir ao cinema à meia-noite, gosto de saber que posso ir duas semanas para qualquer lado sem dar satisfações a ninguém. Gosto dessa liberdade e não me vejo a abrir mão dela tão cedo. Sim, já sei que não faltará gente a dizer "mas um filho é tão compensador, e é tão lindo, e as crianças são adoráveis, e assim que ele nascer já não vais ter vontade de fazer essas coisas todas, e se tu quiseres a tua vida não muda quase nada, e blá blá blá". Pois, tudo muito bonito, mas as coisas mudam, E não há volta a dar, por mais que se queira. Por mais apoios que se tenha, por mais avós que possam estar à mão, por mais que se leve a criança para todo o lado, não é o mesmo e nunca mais será. Uns pais adaptam-se melhor do que outros, é verdade, mas também há muito bom casal por aí que se anula e passa a viver completamente centrado e obcecado pela criança. Mas pronto, isso é outra conversa. O que é certo é que as mulheres vão adiando cada vez mais a decisão de terem filhos. Claro que continua a haver as que aos 25 anos já têm dois ou três, as que querem mesmo muito ser mães, as que à primeira oportunidade vão engravidar. Mas vejo pelas pessoas que me rodeiam que a predisposição é pouca. Que ainda ninguém está para aí virado. Que se vai adiando sempre, por um motivo ou por outro. Tal como dizia, eu até me vejo com filhos, mas não os quero agora e nem sequer sinto vontade. E se nunca sentir vontade? Será que é justo tê-los só porque até acho que é engraçado um dia ser velhota e ter descendência? Não é uma perspectiva um bocado egoísta da coisa? Por outro lado, também tenho medo de ir adiando, adiando, adiando, e depois chegar aos 35 ou 40, dar-me uma vontade súbita, e não conseguir engravidar. Depois está-se mesmo a ver que aquilo vai ser a coisa mais importante da minha vida e que se não tiver um filho não me vou conseguir sentir realizada e vou andar a bater com a cabeça nas paredes. Enfim. Acho que as pessoas ainda têm algum medo de constatar e dizer alto que não, que se calhar não querem filhos. E, vai-se a ver, e não é crime nenhum. É só uma opção, tão válida como dizer que se quer um filho, dois ou oito. Isto não é uma ciência exacta nem há fórmulas para a felicidade. O que resulta para uma pessoa, não resulta para outra. Há quem queira filhos, há quem não queira, há quem queira e não possa (e isso é que deve ser mesmo lixado). Isto não é propriamente o mesmo que decidir se se compra ou não um carro. Pode ser para o ano, pode ser em 2016, pode ser nunca. É coisa para se ir vendo.
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