Hoje, comecei a pensar quão ingratos nós, seres humanos, conseguimos ser.
Queixamo-nos por as coisas não serem como queremos, como idealizámos.
Queixamo-nos, todas as manhãs, com o mesmo dilema: "que hei-de vestir hoje?".
Queixamo-nos porque comemos demais.
Queixamo-nos porque sim.
Queixamo-nos porque não.
Queixamo-nos porque nem sim, nem não.
E aquelas pessoas que não sabem se sobrevivem mais um dia, quanto mais até ao próximo ano.
Aquelas pessoas que não têm família. Nem casa. Nem um papo-seco com manteiga para comer. Bolos esses com que nos enfardamos como se não houvesse amanhã e que, depois, além de pesarem na balança, pesam, também, na consciência.
Aquelas pessoas solitárias. Pobres. Doentes. Que passam frio. Que passam fome. Que não sabem o que é viver com as condições mínimas.
Escrevi isto, porque, por vezes, somos ingratos. Muito ingratos. Somos demasiado exigentes. Em relação a nós. Em relação aos outros. Queremos isto. Queremos aquilo. Queremos tudo. E quanto mais temos, mais queremos. Não saboreamos o que nos dão. O que nos pertence e é pena que para dar-mos valos ao que é nosso temos que ver que existem pessoas que tem menos que nós.
Escrevi isto, porque ontem acordei como se o mundo e restante universo se tivessem revoltado contra mim. Mas afinal, hoje, cheguei à conclusão de como fui estúpida, ontem. Estúpida. Egoísta. Ingrata.
Afinal, tenho o privilégio de acordar na minha cama. Na minha casa. De ter comida no frigorífico e na despensa. De ter a minha família presente. De ter pessoas que gostam de mim, apesar do meu mau feitio. De ter saúde. Alegria. Felicidade.
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